Atualizado em 15 de janeiro de 2013 às 11h01

Distorções dimensionais - Parte IV: Distorções inevitáveis

Neste artigo Shun Yoshida nos apresenta o tema das distorções inevitáveis, ou seja, distorções dimensionais que não podem ser eliminadas

 
Nos capítulos II e III, foram discutidas as diferentes causas de Distorções Dimensionais Evitáveis, ou, pelo menos, controláveis no processo de tratamento térmico de têmpera dos aços. Neste capítulo, introduzimos o tema das distorções inevitáveis, ou seja, que não podem ser eliminadas, e, consequentemente, levando ao fato de que, qualquer que seja a técnica de tratamento térmico, ou os cuidados que sejam tomados, “...sempre haverá Distorção Dimensional no processo de Têmpera...”.
As distorções dimensionais inevitáveis podem ser classificadas, conforme visto no capitulo I, como segue abaixo na Fig. 1.
 
Fig. 1. Classificação das Distorções Inevitáveis
 
Apesar de não poderem ser eliminadas, as Distorções Inevitáveis podem e devem ser estudadas, de maneira a permitir o tratamento térmico, sem inviabilizar a fabricação do componente. Há diferentes formas de “contornar” o problema, reduzindo os seus efeitos, seja por meio de correções posteriores, seja com alterações de projeto anteriores à etapa de tratamento térmico. É o que veremos a seguir.
 
Fig. 2. Variação Dimensional do AISI 4340 em função da temperatura mostrando os pontos de inflexão A, B, C, D, E, F [1]
 
Em abcissas, temos a temperatura em cada ponto, e em ordenadas a variação dimensional proporcional correspondente dada pela variação do coeficiente de expansão térmica linear.
Exemplificando, supondo que o corpo de prova submetido à condição do gráfico da Fig. 2 tenha 0,1 m de comprimento, à temperatura de 730°C (ponto B), temos uma expansão:
• do gráfico, à 730°C temos o coeficiente de expansão térmico linear de a = 18 µm/m.K;
• Lo = 0,1 m
• T = 730°C = 1003 K
• DL = Lo.a.DT
• DL = 0,1 x 18 x 10-6 x 1003 = 1805 x 10-6 m ou 1,8 mm de variação dimensional (no comprimento).
Cada um dos pontos indicados na figura está descrito na Tabela 1, juntamente à temperatura e variação dimensional ocorrida em relação ao estado inicial.
 
Tabela 1. Descrição do estado do corpo de prova de 4340 em cada um dos pontos indicados no gráfico da Fig. 2 [2]
 
Do ponto (A) até o ponto (B), durante o aquecimento observamos uma expansão praticamente linear, de 1,8 mm no total, confirmando a conhecida equação da expansão térmica linear:
L = Lo x (1 + a x DT)
Onde:
L = comprimento final em m
Lo = comprimento inicial em m
a = coeficiente de expansão térmico linear em µm/m.K
DT = variação da temperatura em K

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Shun Yoshida

Engenheiro Metalurgista pela Escola Politécnica da USP, trabalhando na Bodycote Brasimet Processamento Térmico S.A. há 24 anos, atualmente ocupando o cargo de Gerente Nacional de Engenharia, Desenvolvimentos, Qualidade e Vendas, respondendo por estes setores da empresa para as quatro plantas da empresa no Brasil

 
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