Atualizado em 27 de fevereiro de 2013 às 10h02

Pioneiros - Thales Lobo Peçanha

Thales Lobo Peçanha é o presidente do grupo Combustol & Metalpó, um dos maiores e mais tradicionais fabricantes de fornos industriais do Brasil, com mais de 50 anos de existência

Thales Lobo Peçanha é o presidente do grupo Combustol e Metalpó, sendo a Combustol um dos maiores e mais tradicionais fabricantes de fornos industriais do Brasil, com mais de 50 anos de existência. Quem fundou a empresa foi o seu pai, o engenheiro Paulo Lobo Peçanha nascido em Niterói, no Rio de Janeiro, e cursou engenharia no ITA, anteriormente ao seu ingresso na área militar. Antes de fundar a Combustol, em 1959, chegou a passar com a família mais de dois anos na Europa, como adido militar. Neste cargo a função dele era absorver tecnologia da fabricação de canhões, na Suécia. A segunda guerra mundial havia terminado anos antes, os equipamentos recebidos dos aliados durante o conflito estavam desatualizados e o Brasil estava interessado em modernizar o seu armamento, desenvolvendo em paralelo a sua indústria. Segundo Thales, parte dos canhões fabricados no Brasil era produzida no Arsenal de Guerra, no Rio de Janeiro, e outra parte em São Paulo, como por exemplo, a culatra, que era fundida nas instalações da Villares, na sua antiga usina situada na Avenida do Estado, em São Caetano.
Pelas informações de Thales Peçanha, seu pai trabalhava a noite em casa, fazendo projetos, para complementar o salário e levantar recursos para se estabelecer futuramente com seu próprio negócio. Quando se aposentou, mudou-se para São Paulo, e foi aí que ele fundou a Combustol. Thales explica que a idéia de seu pai de partir para a fabricação de fornos adveio da necessidade de obtenção de ligas especiais para os canhões, produzidas em fornos. Também auxiliou o fato de que na indústria militar era constante o emprego de calor, do aquecimento para a conformação de peças metálicas, como por exemplo, no forjamento. Ele sempre havia trabalhado em processos metal-mecânicos, com uma forte ligação com a parte térmica.
 
Paulo Lobo Peçanha, em 1962
 
O início foi difícil, mas Paulo Peçanha usava de sua criatividade para ter sucesso. O Brasil impunha barreiras à importação, para proteger e desenvolver o mercado interno. Isto motivou uma fase de verticalização muito grande. A Combustol participou com sua engenharia e fabricação do desenvolvimento de projetos de produção de produtos como pregos, arame farpado, transformadores, separadores magnéticos, filtros eletrostáticos, material antipoluente, e, mais tarde, com tratamentos térmicos, refratários, metalurgia do pó, entre outros. Mas foi com queimadores que a Combustol teve o seu primeiro pedido. Paulo havia desenvolvido alguns modelos na empresa Termomecânica, da área de metais não ferrosos e de propriedade do empresário Salvador Arena, onde trabalhou depois de se aposentar no Exército. Quando ele saiu de lá, Arena pediu para ele continuar produzindo, e assim se tornou o primeiro cliente da Combustol. Em seguida vieram pedidos de fornos a banho de sal, depois aquecedores, uma necessidade da indústria de alimentos, e a lista não parou mais de crescer.
A ligação com Salvador Arena, as possibilidades existentes na mineração no Brasil e a vantagem de estarem no ramo de equipamentos, mais especificamente na área térmica, aliado à incansável disposição de encarar desafios e pesquisar novidades, fizeram com que o grupo enveredasse na área de prospecção de minérios. As empresas criadas neste setor posteriormente seriam vendidas e hoje fazem parte do portfólio de importantes mineradoras de nosso país. A atividade na área trouxe também outras vantagens para o grupo. Thales explica que em um determinado momento o estanho fazia parte dos produtos comercializados pela empresa, tendo clientes na área siderúrgica. Isto “abriu as portas” para iniciarem a venda e fabricação de equipamentos siderúrgicos pesados a empresas da área. Recentemente a empresa se tornou a única fabricante de fornos a ter equipamentos instalados em todas as siderúrgicas em operação em nosso país.

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Udo Fiorini

Formado em Jornalismo pela PUC Campinas, com pós graduação em Jornalismo Literário pala ABJL. Tem 30 anos de experiência no campo do processamento térmico. Foi sócio proprietário de empresa fabricante de fornos industriais e de prestação de serviços de tratamento térmico. Editor no Brasil das revistas Industrial Heating, Forge e Pollution Engineering

 
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